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Abruzzo: a natureza à mesa!

Terra de mar e de montanhas, o Abruzzo. Entremeadas por uma paisagem de colinas coloridas pelas cultivações agrícolas, diferentes em cada estação e em cada região, com a força de uma agricultura saudável e consciente dos valores ambientais e do respeito às tradições.  

 

Uma viagem através da região do Abruzzo permite de fato a descoberta de aldeias encantadoras, com centenas de castelos de todas as épocas, encrustados em uma paisagem pura, em que mais de 30% do território são protegidos, contando com três parques nacionais, um regional e onze reservas nacionais e regionais.

Ao lado da natureza, não será difícil apreciar o forte espírito de conservação que caracteriza as memórias históricas e as comemorações fascinantes, como também as tradições alimentícias, genuinamente ligadas às festividades religiosas, aos locais e aos rituais agrários ou sazonais. E a próspera atividade agrícola soube ampliar seu raio de ação para manifestar-se cada vez mais em sua dimensão multifuncional, também através da comercialização direta dos produtos, da atividade agri-turística e dos percursos didáticos que favorecem a acolhida aos visitantes e a aqueles que para lá se dirigem a trabalho.

Transparece todavia, como essa mesma cozinha do Abruzzo, de mar e de terra, que sempre foi considerada “simples” – pois faz uso exclusivamente dos produtos locais e é fruto de poucas elaborações – acaba revelando toques de criatividade em muitas receitas, atendendo às exigências de consumidores cada vez mais atentos a uma alimentação saudável e natural.


Resumindo, uma gastronomia de origens caseiras, encontrada com absoluta facilidade também nos restaurantes e nas cantinas da região, e que ainda hoje conserva pratos de nomes onomatopéicos ou ligados aos locais e às pessoas junto aos quais tais produtos ou modos de preparar foram mais difundidos.

 

O Abruzzo é conhecido no mundo por alguns produtos como o macarrão, os vinhos, o azeite extra virgem de oliva, além de outras especialidades por excelência, como doces assados, conservas em óleo, açafrão, trufas e produtos hortifrutíferos. 

 

 

A tradição do macarrão no Abruzzo (famosos os espaguetes “alla chitarra”) remonta à metade do século XIX, quando descobriu-se que as condições climáticas e a água pura das nascentes, juntamente com a arte dos mestres macarroneiros, podiam representar um valor agregado do território. Assim nasceram importantes empresas industriais e artesanais ainda hoje em atividade e capazes de exportar grandes volumes.

 

 

A mesma qualidade e a mesma fama caracterizam os vinhos do Abruzzo, cuja produção está em torno de 3,6 milhões de hectolitros (4ª região na Itália), obtidos a partir de cerca de 36 mil hectares de vinhedos, com um volume de negócios de cerca de 350 milhões de euros. Caracteriza-se pela categoria Docg o Montepulciano d’Abruzzo Colline Teramane (3,5 mil hl.), e na categoria Doc, o Montepulciano d’Abruzzo (820 mil hl.), o Trebbiano d’Abruzzo (210 mil hl.) e o Controguerra, além dos vinhos Igt, entre os quais o branco Pecorino, perfazendo um total de 110 milhões de garrafas, sendo a metade delas comercializada no exterior, por cerca de 160 empresas vitivinícolas.

 

 

Outro produto de grande sucesso é o príncipe dos condimentos da cozinha  mediterrânea: o azeite extra virgem de oliva. No Abruzzo são produzidos anualmente cerca de 22 milhões de quilos de azeite (5ª região na Itália), obtido principalmente a partir de cultivações locais de oliveiras, que tanto pela variedade das azeitonas quanto pela zona de produção identificam as três Dop (Denominação de origem protegida) "Colline Teatine" com a Gentile di Chieti, "Aprutino Pescarese" com a Dritta na província de Pescara, e "Pretuziano Colline Teramane" com a Tortiglione, que representam as bases às quais se unem respectivamente as outras variedades Intosso, Cucco e Castiglionese, Leccino e Frantoio. Duas das especialidades locais são as hortaliças em conserva em óleo, e os óleos com fundo cítrico obtidos pela espremedura das azeitonas com laranjas ou limões cultivados na esplêndida zona da  Costa dei Trabocchi, na província de Chieti.

 

 

Os vinhedos e olivais desenham grande parte do território regional, mas o cultivo de frutas e hortaliças não é menos importante: este setor representa 25% da Plv agrícola do Abruzzo e orgulha-se de alguns produtos que têm o reconhecimento do mercado por sua alta qualidade, como no caso das cenouras do Fucino Igp (Indicação geográfica típica) e as batatas, no setor da horticultura, e os pêssegos e as nectarinas no setor de produção de frutas. Em ambos os casos, a estrutura comercial apresenta-se bastante coesa, através das associações de produtores.

 

 

 

O interior é rico de outros produtos muito valiosos e originais: as trufas (brancas ou pretas) que fazem do Abruzzo uma das regiões mais importantes da Itália em termos de quantidade e qualidade; o açafrão de L’Aquila Dop, colhido no peculiar microclima do planalto de Navelli; as lentilhas de Santo Stefano de Sessanio, e outros cereais das montanha e dos vales, como os feijões “pão” de Paganica, os feijões redondinhos do Tavo e os grãos-de-bico de Navelli; o alho vermelho de Sulmona no Vale Peligna; as alcachofras de Cupello na região do “vastese”.

 

 

Atravessando o Abruzzo fica evidente também o estreitíssimo laço com o ambiente e com a tradição agro-pastoral que tem seu ponto forte nos pastos ainda incontaminados, ricos de ervas aromáticas e de flores, e que durante séculos representaram a primeira atividade econômica. À importante produção de mel (também neste caso, uma das mais importantes da Itália), junte-se uma extraordinária variedade de queijos e salames: a partir da transformação do leite são obtidos queijos de ovelhas e de cabras de diversos graus de cura, e de diversas proveniências (Farindola, Castel del Monte, Scanno, Atri); os queijos conhecidos por “caciotte” e “caciocavalli” do alto vale Peligna e do alto Sangro, a ricota maturada e defumada.

 

A partir do processamento de carnes suínas são obtidas formidáveis delícias, como a “ventricina” do médio e alto Vastese, as mortadelas de Campotosto, as lingüiças de carne e de fígado (temperadas também com mel e pimenta), a “ventricina” de Teramo (para passar no pão) ou  o salame achatado de L’Aquila.

 

Ligados às festas ou aos locais onde são produzidos, os doces típicos mais conhecidos, como as “neole” e as “ferratelle” (que recebem seu nome devido à sua preparação com um ferro aquecido), a “pizza doce” (pão-de-ló com creme e chocolate), os “bocconotti lancianesi e teramani”, os confeitos de Sulmona, o torrone de L’Aquila e de Guardiagrele, e as diversas versões do “parrozzo”, o mais importante dos doces assados, tornado célebre por Gabriele D’Annunzio.

Sobre as mesas das famílias do Abruzzo nunca falta, enfim, um copo do tradicional Vinho quente ou de “Ratafià” (bebida obtida a partir de cerejas maceradas em vinho ou álcool), ou um gole de Punch, de Genziana ou de Centerba de Tocco da Casauria, uma rara infusão de ervas que nascem espontaneamente.

 

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